Questão 70 do ENEM 2020 — História
Com efeito, até a destruição de Cartago, o povo e o Senado romano governaram a República em harmonia e sem paixão, e não havia entre os cidadãos luta por glória ou dominação; o medo do inimigo mantinha a cidade no cumprimento do dever. Mas, assim que o medo desapareceu dos espíritos, introduziram-se os males pelos quais a prosperidade tem predileção, isto é, a libertinagem e o orgulho.
SALÚSTIO. A conjuração de Catilina/A Guerra de Jugurta. Petrópolis: Vozes, 1990 (adaptado).
O acontecimento histórico mencionado no texto de Salústio, datado de I a.C., manteve correspondência com o processo de
Resolução comentada
Salústio descreve que, enquanto Roma temia um inimigo externo poderoso (Cartago), a disciplina e a união prevaleciam; destruído esse rival, vieram o luxo e a ambição. Esse episódio corresponde à expansão das fronteiras extrapeninsulares: com a vitória sobre Cartago, Roma passou a dominar territórios fora da península Itálica, trazendo riquezas, escravos e novos hábitos que corroeram os antigos costumes republicanos.
Apontar a demarcação de terras públicas lembra as reformas agrárias dos Graco, mas essas foram uma consequência tardia da crise gerada pela expansão territorial, não o processo diretamente narrado por Salústio, que fala do fim do medo do inimigo externo, ou seja, da conquista de novos territórios.