Questão 47 do ENEM 2020 — Geografia
As estatísticas mais recentes do Brasil rural revelam um paradoxo que interessa a toda sociedade: o emprego de natureza agrícola definha em praticamente todo o país, mas a população residente no campo voltou a crescer; ou pelo menos parou de cair. Esses sinais trocados sugerem que a dinâmica agrícola, embora fundamental, já não determina sozinha os rumos da demografia no campo. Esse novo cenário é explicado em parte pelo incremento do emprego não agrícola no campo. Ao mesmo tempo, aumentou a massa de desempregados, inativos e aposentados que mantêm residência rural.
SILVA, J.G. Velhos e novos mitos do rural brasileiro. Estudos Avançados, n. 43, dez. 2001.
Sobre o espaço brasileiro, o texto apresenta argumentos que refletem a
Resolução comentada
O texto mostra que o campo brasileiro já não é habitado só por quem trabalha na agricultura: há também aposentados, desempregados e trabalhadores de empregos não agrícolas morando na zona rural. Isso evidencia a heterogeneidade do modo de vida agrário, cada vez mais diverso.
Afirmar que moradia e acesso à renda seriam indissociáveis é tentador por parecer lógico. Mas o texto mostra justamente o contrário: pessoas continuam morando no campo mesmo sem obter renda do trabalho agrícola ali (desempregados, aposentados), ou seja, residência e fonte de renda estão se dissociando, não se atrelando.