Questão 73 do ENEM 2019 — História
O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar uma festa sincrética. A igreja retomou a distância de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira que as festas do solstício de verão europeu com suas tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa do fogo e da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista. Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e cantos) foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina cristã.
CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista Anthropológicas, n. 18, 2007 (adaptado).
Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as práticas descritas, que consistem em:
Resolução comentada
A Igreja não inventou uma festa nova: ela reaproveitou fogueiras pagãs do solstício de verão, já existentes, e as batizou de festa de São João. Isso é uma apropriação de cerimônias seculares (não religiosas) preexistentes para fortalecer sua influência sobre a população.
A opção "fomento de orientações bíblicas" não se sustenta: o texto mostra a Igreja incorporando práticas populares de origem pagã (banhos, danças, fogueiras), e não disseminando ensinamentos das Escrituras.