Questão 57 do ENEM 2018 — História
A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações que levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas. Aquelas
“angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de escravos a fazerem alforrias gratuitamente.
MIRANDA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015
As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento
Resolução comentada
As mulheres descritas usavam poesia, oratória e mobilização social para arrecadar dinheiro e convencer senhores a libertar seus escravos gratuitamente. Essa atuação estava diretamente ligada ao movimento abolicionista, que buscava o fim da escravidão por meio da sociedade civil.
A classificação como feminista é tentadora porque são mulheres ocupando o espaço público, mas o objetivo da mobilização não era a luta por direitos das mulheres, e sim a liberdade dos escravizados.