Questão 43 do ENEM 2018 — Educação Física

Encontrando base em argumentos supostamente científicos, o mito do sexo frágil contribuiu historicamente para controlar as práticas corporais desempenhadas pelas mulheres. Na história do Brasil, exatamente na transição entre os séculos XIX e XX, destacam-se os esforços para impedir a participação  da mulher no campo das práticas esportivas. As desconfianças em relação à presença da mulher no esporte estiveram culturalmente associadas ao medo de masculinizar o corpo feminino pelo esforço físico intenso. Em relação ao futebol feminino, o mito do sexo frágil atuou como obstáculo ao consolidar a crença de que o esforço físico seria  inapropriado para proteger a feminilidade da mulher “normal”. Tal mito sustentou um forte movimento contrário à aceitação do futebol como prática esportiva feminina. Leis e propagandas buscaram desacreditar o futebol, considerando-o inadequado á delicadeza. Na verdade, as mulheres eram consideradas incapazes de se adequar ás múltiplas dificuldades do “esporte-rei”.

TEIXEIRA, F L. S.; CAMINHA, I. O. Preconceito no futebol feminino: uma revisão sistemática. Movimento, Porto Alegre, n. 1,2013 (adaptado).

No contexto apresentado, a relação entre a prática do futebol e as mulheres é caracterizada por um

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Argumento biológico para justificar desigualdades históricas e sociais.
B
Discurso midiático que atua historicamente na desconstrução do mito do sexo frágil.
C
Apelo para a preservação do futebol como uma modalidade praticada apenas pelos homens.
D
Olhar feminista que qualifica o futebol como uma atividade masculinizante para as mulheres.
E
Receio de que sua inserção subverta o “esporte-rei” ao demonstrarem suas capacidades de jogo.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

O texto mostra que a exclusão das mulheres do futebol se apoiava em "argumentos supostamente científicos" sobre fragilidade física feminina — ou seja, um discurso biológico foi usado para justificar uma desigualdade que era, na verdade, social e cultural.

A ideia de um receio de que a inserção das mulheres "subvertesse" o esporte-rei é uma consequência possível, mas o texto deixa claro que a justificativa usada historicamente foi baseada em uma suposta fragilidade biológica, não num medo declarado de perda de espaço.

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