Questão 85 do ENEM 2017 — Filosofia
Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
Resolução comentada
Para Kant, uma ação só é moralmente correta se sua máxima puder se tornar lei universal, válida para todos. A falsa promessa fracassa nesse teste: se todos prometessem sabendo que não cumpririam, a própria instituição da promessa deixaria de existir. Por isso, ela opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal, o imperativo categórico kantiano.
A ideia de que os fins da ação humana podem justificar os meios remete a uma ética consequencialista que Kant rejeita: para ele, a moralidade da ação está em sua própria máxima, e não pode ser justificada pelos resultados que produz.