Questão 101 do ENEM 2016 — Língua Portuguesa

O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?

Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós, mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.

Disponível em http://globonews.globo.com. Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte uma relação de

A
Finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de vocalização dos ratos.
B
Oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização dos ratos.
✓
Condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização dos ratos.
D
Consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado no cérebro.
E
Proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização dos ratos.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A oração reduzida "Acontecendo de o cientista provocar um dano..." equivale a "Se o cientista provocar um dano...". Ela expressa uma hipótese necessária para o que vem depois (o rato deixa de vocalizar), estabelecendo, portanto, relação de condição.

A leitura que aponta consequência confunde causa e condição: a perda da vocalização até decorre do dano, mas o trecho analisado não afirma um fato ocorrido — apresenta uma situação hipotética ("acontecendo de..."), o que caracteriza a condicionalidade, não a mera consequência.

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