Questão 23 do ENEM 2013 — Sociologia
Quando ninguém duvida da existência de um outro mundo, a morte é uma passagem que deve ser celebrada entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não desaparecer completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na eternidade. A perda contemporânea do sentimento religioso fez da morte uma provação aterrorizante, um trampolim para as trevas e o desconhecido.
DUBY, G. Ano 2000 na pista do nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado).
Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve um processo de
Resolução comentada
Duby compara dois modos de encarar a morte: na Idade Média, passagem celebrada rumo à eternidade; hoje, provação aterrorizante. O que mudou não foi a morte em si, mas o sentido que a sociedade lhe atribui — houve uma transformação das representações sociais.
A ideia de disseminação do ateísmo exagera: a perda do sentimento religioso descrita pelo autor não equivale à disseminação do ateísmo — o texto fala de mudança de significado, não de conversão em massa à descrença.