Questão 17 do ENEM 2011 — História

Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não lendo jornais, nem revistas, nas quais se limita a ver as figuras, o trabalhador rural, a não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de benfeitor. No plano político, ele luta com o “coronel” e pelo “coronel”. Aí estão os votos de cabresto, que resultam, em grande parte, da nossa organização econômica rural.

LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978 (adaptado).

O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania. Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social

A
Igualitária, com um nível satisfatório de distribuição da renda.
B
Estagnada, com uma relativa harmonia entre as classes.
C
Tradicional, com a manutenção da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.
D
Ditatorial, perturbada por um constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.
✓
Agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local e regional.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

O coronelismo e o voto de cabresto se apoiavam numa estrutura social agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local: o trabalhador rural, analfabeto e dependente do "coronel", votava conforme a vontade do grande proprietário.

A opção que menciona a manutenção da escravidão nos engenhos comete um anacronismo: na Primeira República a escravidão já havia sido abolida (1888); a dominação se dava pela dependência econômica e pessoal, não pelo cativeiro.

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