Questão 120 do ENEM 2009 — Literatura

No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que
publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.

CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e
outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que

A
O romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.
B
José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.
C
O romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.
✓
A literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.
E
Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Entre as afirmações sobre o regionalismo e suas vertentes, a correta trata da literatura urbana: a literatura urbana brasileira, que tem Machado de Assis como um de seus expoentes, põe em relevo a formação do homem brasileiro, com seus traços culturais, seu sincretismo religioso e suas raízes africanas e indígenas — mesmo ambientada na cidade, ela investiga a identidade nacional.

A opção que agrupa Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado como retratando a problemática do homem urbano em confronto com a modernização mistura tudo: esses autores são ligados sobretudo ao regionalismo (pampa, sertão, Bahia), e não a essa temática urbana.

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