Questão 85 do ENEM 2025 — Sociologia
TEXTO I
O cinema constituía um encanto indefinível: além do entretenimento delicioso das vidas alheias por meio dos filmes, o pretexto amável para os encontros de olhos, para a mostra dos vestidos, para as tagarelices com as vizinhas de cadeiras.
SETTE, M. Anquinhas e bernardas. São Paulo: Livraria Martins, 1940 (adaptado).
TEXTO II
O pouco caso na seleção dos filmes para serem exibidos nos espetáculos diurnos tem sido causa de inúmeros dissabores sofridos pelos progenitores que levam os seus filhos ao cinema para recreá-los. Em toda parte, tanto nas casas de famílias como nos colégios, só se ouve a petizada falar em fitas, em artistas cinematográficos, nas proezas de William Hart ou nas façanhas de Mutt.
O cinema e a criança. Diário de Pernambuco. 29 ago. 1925 (adaptado).
Publicados na primeira metade do século XX, os textos apresentam
Resolução comentada
Os dois textos tratam do cinema nas primeiras décadas do século XX, quando ele se difundia como diversão urbana no Brasil. O Texto I, do romance de Mário Sette, descreve a sala de cinema como um “encanto indefinível”: entretenimento “delicioso”, ocasião de encontros, de exibição de vestidos e de conversas. É uma visão positiva e nostálgica, que destaca o cinema como espaço de sociabilidade.
O Texto II, do Diário de Pernambuco de 1925, tem outro tom: critica o “pouco caso” na seleção de filmes das sessões diurnas, que causaria “dissabores” aos pais, e observa como as crianças só falam em fitas e artistas de cinema. É uma preocupação moral e pedagógica com a influência do cinema sobre a infância, característica do receio com os efeitos da cultura de massa.
Portanto, os textos tratam do mesmo tipo de diversão, o cinema, mas dela fazem avaliações opostas: um a celebra, o outro a vê com reservas. É o que expressa a alternativa que fala em “argumentos contrários sobre o mesmo tipo de diversão”. As que falam em “conclusões semelhantes” e em “justificativas idênticas” ignoram esse contraste. A que fala em “didática escolar” e a que fala em “regras teológicas” desviam o assunto: os textos não discutem escola como método de ensino nem religião, e o cinema não é apresentado como recurso pedagógico formal.