Questão 74 do ENEM 2025 — Sociologia
Fragmentada em pequenos grupos, fragilizada pela ausência de algum tipo de organização ampla, tendo que carregar o peso do preconceito racial que se transfere do negro para a cultura negra, a religião dos orixás tem poucas chances de se sair melhor na competição — desigual — com outras religiões. Silenciosamente, assistimos hoje a um verdadeiro massacre das religiões afro-brasileiras.
PRANDI, R. O Brasil com axé. Estudos Avançados, n. 52, dez. 2004.
No processo de invisibilização dos cultos afro-brasileiros, o texto associa os seguintes elementos essenciais:
Resolução comentada
O texto é do sociólogo Reginaldo Prandi e trata da situação das religiões afro-brasileiras, como o candomblé. Ele afirma que elas são fragmentadas em pequenos grupos, sem uma organização ampla, e carregam o peso do preconceito racial que se transfere do negro para sua cultura, o que as coloca em desvantagem na disputa com outras religiões.
Veja os dois elementos associados no trecho. O primeiro é a "ausência de algum tipo de organização ampla" e a fragmentação, ou seja, a precariedade de coesão representativa, que dificulta falar com uma só voz. O segundo é o "preconceito racial" que recai sobre a cultura negra, isto é, a recusa da alteridade: a sociedade não aceita o outro, o diferente. Combinados, eles produzem a invisibilização dos cultos, como o enunciado pede.
Os distratores trazem termos que o texto não sustenta. "Rejeição da laicidade", "inexistência de direitos constitucionais" e "negação do ecumenismo" são afirmações sobre o Estado e o diálogo entre religiões que Prandi não faz, pois o Brasil é um Estado laico e garante a liberdade de culto. "Exclusão da dialogicidade" e "efemeridade das relações políticas" também extrapolam o texto, assim como a "debilidade do pertencimento étnico", que não é mencionada: o autor fala em preconceito vindo de fora, e não em fraqueza identitária dos adeptos.