Questão 69 do ENEM 2025 — História
A difusão pelos cônegos do ideal apostólico, bem como a influência dos eremitas e dos pregadores errantes que na sua esteira propagavam temas evangélicos, contribuíram para fazer nascer, entre os fiéis, o desejo de se erguerem ao nível espiritual do clero e de obterem a sua salvação, sem que para isso tivessem de renunciar ao seu estado. Pela primeira vez, a Igreja entreabria as portas da graça em benefício da totalidade dos fiéis, colocando, como única condição, a sua partida para o Oriente, a fim de aí lutarem contra os inimigos de Cristo.
VAUCHEZ, A. A espiritualidade da Idade Média Ocidental, séc. VIII-XIII. Lisboa: Estampa, 1995.
Conforme o texto, no imaginário dos fiéis cristãos do período medieval, a salvação era alcançada por meio das
Resolução comentada
O texto de André Vauchez trata do contexto das Cruzadas (a partir do final do século XI), quando a Igreja medieval convocou cristãos para lutar no Oriente, em especial para retomar Jerusalém dos muçulmanos. Ele observa que a pregação dos cônegos e eremitas despertou nos fiéis leigos o desejo de alcançar a salvação sem abandonar sua condição, isto é, sem virar monges ou clérigos.
Perceba a frase-chave: a Igreja abriu "as portas da graça" a todos os fiéis "como única condição" a partida para o Oriente para combater os "inimigos de Cristo". Ou seja, a salvação passava a ser obtida por uma ação voluntária, a decisão pessoal de se engajar na expedição, e não apenas pela vida religiosa dentro do clero. É esse o sentido da resposta correta.
Os distratores não condizem com o trecho. "Palavras escritas" e "ideias messiânicas" não aparecem: o que se destaca é a ação concreta e não a leitura nem uma expectativa de messias. "Práticas litúrgicas" ligam-se aos ritos conduzidos pelo clero, justamente o caminho de que os leigos se viam excluídos. E "celebrações coletivas" mencionam algo coletivo, mas o texto enfatiza a escolha de cada fiel de partir e lutar, e não a participação em festas ou cerimônias.