Questão 37 do ENEM 2025 — Língua Portuguesa
TEXTO I
Os Doze Trabalhos de Hércules
Hércules é uma figura lendária da mitologia greco-romana. Ele é frequentemente retratado como um herói de força sobre-humana e coragem, filho de Zeus, o rei dos deuses, e Alcmena, uma mulher mortal. O episódio mais conhecido de Hércules é a realização dos Doze Trabalhos. Esses trabalhos são impostos a ele como uma forma de expiação pelos crimes cometidos durante um acesso de loucura, causado pela deusa Hera, esposa de Zeus. Os Doze Trabalhos são: matar o Leão de Nemeia; matar a Hidra de Lerna; capturar a corça de Cerineia; capturar o javali de Erimanto; limpar os estábulos de Áugias; matar as aves do lago Estínfalo; matar o touro de Creta; capturar os cavalos de Diomedes; roubar o cinturão de Hipólita, a rainha das Amazonas; capturar o gado de Gerião; capturar os pomos de ouro do Jardim das Hespérides; capturar o cão de Hades, Cérbero.
HERTEL, R. Mitologia. Disponível em: https://osmelhoreslivros.com.br. Acesso em: 4 jun. 2025 (adaptado).
TEXTO II
Os Doze Trabalhos
O que lhe faltava de estudo lhe sobrava de boa vontade e inteligência. No escritório improvisado na salinha da casa, anunciava seus serviços de bombeiro hidráulico e eletricista. Nas horas vagas entregava panfletos e lavava carros. Quando a cidade fervia com alguma festa, postava-se à entrada vendendo cerveja. Se fosse algum show infantil, cocadas. Aos sábados, era pedreiro e, aos domingos, conservava um jardim de uma mansão, além de tratar da piscina e dos cachorros. Nas férias, abrigava-se na fazenda dos donos da mansão, onde trabalhava como caseiro e motorista. Seu nome: João Antonio da Silva. Mas pode chamar de Hércules.
FERREIRA, G. V. Os doze trabalhos. Disponível em: www.minicontos.com.br. Acesso em: 15 jul. 2015 (adaptado).
A comparação entre os textos I e II indica que o(a)
Resolução comentada
O Texto I é um verbete informativo sobre o mito de Hércules, herói de força sobrenatural que cumpre doze tarefas impossíveis. O Texto II é um miniconto: apresenta um trabalhador comum, João Antonio da Silva, que acumula uma série de serviços, de bombeiro hidráulico a caseiro e motorista, e termina com uma brincadeira: “Mas pode chamar de Hércules”.
A relação entre os dois está logo no título, igual nos dois textos: “Os Doze Trabalhos”. O miniconto retoma o mito e o transpõe para a vida de um brasileiro pobre, cuja jornada exaustiva de múltiplas ocupações é equiparada aos feitos do herói. Essa retomada de um texto por outro, com sentido novo, é a intertextualidade, e aqui ela organiza o sentido do conto: o leitor só percebe a ironia e a homenagem ao trabalhador se reconhece a referência ao mito.
Veja por que os demais não servem. O Texto II não resume os fatos do mito: só o título e a menção a Hércules os ligam. Seu vocabulário é cotidiano (“panfletos”, “cocadas”, “piscina”), sem ancoragem literária. A ideia de trabalho como reparação existe só no mito, imposto como expiação, e não no conto. Por fim, o Texto I usa o presente para definir o herói, enquanto o conto narra no pretérito imperfeito e no presente, de modo que o passado não predomina em ambos.