Questão 35 do ENEM 2025 — Língua Portuguesa

Margot Robbie foi criticada por “não ser bonita o suficiente” para interpretar a Barbie. Recentemente, Paolla Oliveira foi chamada de gorda. Só fico pensando o que serei eu com mais de 50 (também no peso), com a minha aparência comum. O corpo da mulher vive um reality show permanente: é sempre vigiado e fiscalizado, como se fosse domínio público. A mulher que não atender aos estereótipos está sujeita a sofrer penalidades básicas, como distúrbios, obsessões, medo do próprio corpo e, é claro, dietas à base de rúcula. “A dieta é o sedativo político mais potente na história das mulheres”, escreveu Naomi Wolf, em 1991. A regra é não haver singularidade, mascarar a passagem do tempo, imobilizar a beleza (já imaginou como isso seria enfadonho?). O mandamento é obedecer às regras sociais do bom comportamento corporal, “como deve ser”, não nos atos, mas na forma.

KORICH, B. S. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 22 jan. 2024 (adaptado).

Nesse texto, para introduzir a ideia de que a fiscalização permanente sobre o corpo afeta todas as mulheres, a autora

A
faz um comentário sobre sua própria imagem.
B
destaca avaliações particulares entre parênteses.
C
cita um formato de programa influente no segmento da beleza.
D
utiliza declaração de uma jornalista como argumento de autoridade.
✓
enumera críticas à aparência de mulheres consideradas padrões de beleza.
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

O trecho é de uma crônica de opinião sobre a vigilância social exercida sobre o corpo feminino. A autora começa por exemplos concretos e só depois generaliza: “O corpo da mulher vive um reality show permanente”. A pergunta quer saber como ela introduz a ideia de que essa fiscalização atinge todas as mulheres.

Observe os dois primeiros exemplos: “Margot Robbie foi criticada por ‘não ser bonita o suficiente’ para interpretar a Barbie. Recentemente, Paolla Oliveira foi chamada de gorda.” São duas atrizes famosas, vistas por muita gente como símbolos de beleza, e mesmo assim julgadas por sua aparência. A autora enumera críticas à aparência dessas mulheres para concluir que, se nem as consideradas padrão escapam, nenhuma mulher escapa.

Examine os distratores. A menção à própria aparência (“com a minha aparência comum”) existe, mas vem depois, como desdobramento pessoal, e não é o que introduz a generalização. Os parênteses (“também no peso”) trazem apenas um comentário irônico. O “reality show” é uma metáfora para a exposição constante, e não a citação de um formato de programa influente na beleza. Já a frase de Naomi Wolf aparece mais adiante e é de uma autora, não de uma jornalista, além de servir a outro argumento: o da dieta como controle político.

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