Questão 1 do ENEM 2025 (espanhol) — Espanhol

¿Dónde está nuestro pan, patrón? ¿Dónde quedó todo ese dinero? ¿Lo tiene oculto bajo el colchón o lo escondió en otro sucio agujero?

Yo tengo un Tàpies, dice Juan Luis; yo tengo un Antonio López, dice Jaume. ¿Quién de los dos sabrá decir cuántos muertos tiene a sus espaldas?

NACHO VEGAS. Disponível em: www.lahiguera.net. Acesso em: 12 abr. 2024 (fragmento).

Na letra da canção Polvorado, ao apresentar as reflexões do eu poético, o cantor espanhol Nacho Vegas

A
demonstra o orgulho dos trabalhadores para com artistas de referência.
✓
critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores.
C
apresenta propostas para diminuir as desigualdades sociais.
D
evidencia o diálogo horizontal entre patrão e trabalhadores.
E
questiona a insalubridade do ambiente de trabalho.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Você está diante de um fragmento de letra de canção de protesto, do cantor espanhol Nacho Vegas. O eu poético faz perguntas diretas a um interlocutor chamado “patrón” (patrão), num tom acusatório. A intenção é denunciar quem concentra a riqueza e se esquece de quem a produz.

Note a primeira pergunta: “¿Dónde está nuestro pan, patrón? ¿Dónde quedó todo ese dinero?”, ou seja, “Onde está o nosso pão, patrão? Para onde foi todo esse dinheiro?”. O “nuestro” coloca o eu poético ao lado dos trabalhadores, e “pan” funciona como metáfora do sustento, daquilo que é devido a eles. Em seguida, “¿Lo tiene oculto bajo el colchón o lo escondió en otro sucio agujero?” (“Tem escondido debaixo do colchão ou o escondeu em outro buraco sujo?”) sugere que o dinheiro foi desviado ou entesourado de forma suja.

O fecho reforça a crítica: enquanto um patrão diz “yo tengo un Tàpies” e outro “yo tengo un Antonio López” (obras de artistas famosos), o eu poético pergunta quem saberá dizer “cuántos muertos tiene a sus espaldas”, isto é, quantas mortes carrega nas costas. Os patrões se exibem com arte cara, mas há vítimas por trás dessa riqueza. Por isso a leitura correta é a que vê uma crítica à postura dos patrões diante dos direitos dos trabalhadores.

Os distratores não se sustentam. As obras de Tàpies e López são citadas pelos patrões, e não pelos trabalhadores, e em tom irônico; portanto não há “orgulho” de operários por artistas de referência. Não aparece nenhuma proposta concreta para reduzir desigualdades, só perguntas e denúncia. O diálogo também não é horizontal, pois o patrão é cobrado e não responde. Por fim, a letra não fala de insalubridade nem das condições físicas do local de trabalho.

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