Questão 98 do ENEM 2024 — Biologia
As lhamas que vivem nas montanhas dos Andes da América do Sul têm hemoglobinas geneticamente diferenciadas de outros mamíferos que vivem ao nível do mar, por exemplo. Essa diferenciação trata-se de uma adaptação à sua sobrevivência em altitudes elevadas onde o ar é rarefeito.
SCHMIDT-NIELSEN, K. Fisiologia animal: adaptação ao meio ambiente. São Paulo: Santos, 2002.
A adaptação desses animais em relação ao seu ambiente confere maior
Resolução comentada
A questão pede a vantagem fisiológica que a hemoglobina diferenciada das lhamas traz para a vida em grandes altitudes, onde o ar é rarefeito, isto é, tem menor pressão parcial de oxigênio.
Em altitudes elevadas, a pressão parcial de O₂ no ar é baixa. Com isso, a hemoglobina de um mamífero que vive ao nível do mar não consegue se saturar bem de oxigênio nos pulmões, e o transporte para os tecidos fica comprometido. A solução evolutiva das lhamas foi ter uma hemoglobina com maior afinidade pelo O₂: ela se liga ao gás com mais facilidade, mesmo quando há pouco oxigênio disponível, o que permite "capturar" mais O₂ a cada respiração.
Por isso, a hemoglobina dessas lhamas fica bem saturada de oxigênio nos pulmões, mesmo com o ar rarefeito.
A resposta é a maior afinidade pelo O₂, maximizando a captação desse gás. As demais opções não se relacionam à falta de oxigênio: tamponamento do pH e transporte de CO₂ dizem respeito à eliminação de gás carbônico e ao equilíbrio ácido-base. A velocidade de transporte e a solubilidade de gases no plasma também não explicam a adaptação, pois o problema é capturar o oxigênio escasso, e a solubilidade dos gases no plasma é baixa e não é a via principal de transporte.