Questão 88 do ENEM 2024 — Filosofia
O mito de Sísifo explora a noção de “o absurdo”, que Camus descreve alternativamente como sendo a condição humana e, ao mesmo tempo, uma difusa sensibilidade do nosso tempo. Sísifo, condenado pelos deuses a uma infindável e fútil tarefa de rolar uma pedra montanha acima (donde ela haveria de rolar montanha abaixo pelo seu próprio peso), torna-se, assim, um exemplar da condição humana, lutando desesperada e impotentemente para alcançar algo.
SOLOMON, R. C. In: AUDI, R. Dicionário de filosofia de Cambridge. São Paulo: Paulus, 2006 (adaptado).
O absurdo da condição humana, representado pela alegoria contida no texto, fundamenta-se na
Resolução comentada
A questão pede que você explique o fundamento do "absurdo" em Camus, ilustrado pelo mito de Sísifo.
Para Camus, o absurdo nasce do confronto entre a necessidade humana de sentido, de ordem e de clareza e o silêncio do mundo, que não oferece respostas racionais. Sísifo, condenado a rolar a pedra montanha acima para vê-la cair de novo, representa o esforço humano diante de um real que não faz sentido, irracional, sem finalidade que o justifique. O trecho diz que ele luta "desesperada e impotentemente" por algo que nunca se completa.
Logo, o absurdo se fundamenta no choque entre a busca humana por sentido e a irracionalidade do mundo.
A resposta correta é a confrontação da irracionalidade do real. A negação da materialidade do mundo não é o tema, pois a pedra e a montanha são bem concretas. A rejeição da ideia de responsabilidade não aparece: Camus valoriza a revolta e a lucidez de Sísifo. A insuficiência da teoria da transcendência é uma consequência filosófica posterior, e não o fundamento do absurdo. A impossibilidade de intersubjetividade também não é abordada, pois o texto trata da relação do indivíduo com o mundo.