Questão 85 do ENEM 2024 — Geografia
Há experiências de lutas sociais de reapropriação cultural da natureza que são movimentos emblemáticos, como a dos seringueiros no Brasil, que da luta sindical para a comercialização da borracha chegaram a inventar o conceito de reserva extrativista e estão avançando para um novo modo de produção, uma nova racionalidade produtiva, mostrando que é possível viver bem, e não apenas sobreviver, em harmonia com a natureza que habitam. O novo planeta que podemos imaginar é feito desses territórios produtivos que não são apenas economias de autossubsistência mas economias que potencializam a produtividade ecológica de seus territórios.
Otexto expõe a possibilidade de uma nova racionalidade produtiva por meio de uma gestão territorial que se baseia na
Resolução comentada
O texto trata da "reapropriação cultural da natureza" e usa como exemplo o movimento dos seringueiros no Brasil, que nasceu da luta sindical e criou o conceito de reserva extrativista: territórios em que comunidades locais usam os recursos da floresta de modo sustentável. Para o autor, essas experiências apontam para uma nova racionalidade produtiva, em que se vive bem "em harmonia com a natureza que habitam".
Note que o protagonismo é das comunidades que vivem no território: são elas que definem como produzir, preservando a "produtividade ecológica" do lugar. A gestão territorial descrita parte, portanto, dos saberes, dos modos de vida e das decisões locais. A alternativa que fala em conexão de valores fundamentados por decisões locais é a que traduz essa ideia, pois liga os valores da comunidade (a relação com a floresta) à forma de organizar a produção.
Os demais itens colocam o poder de decisão em escalas externas, o que contraria a lógica do texto. Falar em mercados regidos por pressões regionais, preços delimitados por demandas nacionais, regras construídas por instituições mundiais ou tradições orientadas por determinações globais desloca o comando para fora do território. O autor, ao contrário, defende uma economia que potencializa o ecossistema local e que não se reduz a uma simples autossubsistência: a lógica vem de dentro da comunidade, não imposta de cima.