Questão 71 do ENEM 2024 — História

Era uma vez um país, uma cidade, uma praça, algumas mães... Las Madres de Plaza de Mayo! Silenciosas, com lenços brancos na cabeça, rondavam a Praça de Maio. Incansáveis, caminharam por dias, meses, anos. Foram chamadas de loucas. Em silêncio, criaram um fato político, escancararam as entranhas da repressão, desafiaram o aparato militar e suas dores ecoaram pelo mundo. Como observou Oliveira, “à luz do dia, sob as janelas do ditador, sob chuva, sob sol, no silêncio entrecortado de gritos, faziam ouvir como que a alucinação de uma litania, que ecoou no país, na América Latina e além-mar”. Era impossível ignorá-las, estavam lá, sempre em silêncio, mas estavam lá.

Qual problema de âmbito nacional argentino o movimento social mencionado expôs ao mundo?

✓
Violação dos direitos humanos.
B
Insegurança da juventude periférica.
C
Naturalização da violência doméstica.
D
Ampliação das desigualdades sociais.
E
Relativização dos princípios democráticos.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

O texto fala das Mães da Praça de Maio, mulheres argentinas que, a partir de 1977, passaram a caminhar em silêncio, de lenço branco na cabeça, em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires, para exigir notícias de filhos e netos desaparecidos durante a ditadura militar argentina (1976-1983). O regime sequestrava, torturava e matava opositores, e os chamados desaparecidos nunca eram devolvidos às famílias.

O trecho decisivo diz que elas "escancararam as entranhas da repressão" e "desafiaram o aparato militar", com dores que "ecoaram pelo mundo". Ou seja, o movimento denunciou publicamente a repressão do Estado, com prisões ilegais, tortura e desaparecimentos forçados. Esse é o problema nacional que expuseram: a violação dos direitos humanos pelo regime militar.

Os demais itens podem até ser problemas reais em países da América Latina, mas não são o que o texto mostra. A relativização dos princípios democráticos é próxima, pois a ditadura rompeu a democracia, mas o foco das Mães foi a denúncia de crimes concretos contra pessoas, não uma discussão abstrata de princípios. Insegurança da juventude periférica, violência doméstica e desigualdades sociais são temas diferentes: as mães não protestavam contra criminalidade urbana, violência no lar ou desigualdade de renda, e sim contra o desaparecimento de seus filhos pela repressão estatal.

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