Questão 70 do ENEM 2024 — Geografia
TEXTO 1
O bufarinheiro, conhecido nas cidades por teque-teque, chama-se, nos recônditos da Amazônia, “regatão”. Em lugar de transportar nas costas o mundo de miudezas, transporta-o no bojo de uma gaiola que desloca duas, três, quatro toneladas, divididas em seções de secos e molhados e é movido por remo de faia. Cortando comunidades e matas da Amazônia por rios, dentro dessas gaiolas, riscadas de prateleiras, encontram-se os artigos mais díspares, que vão da agulha à espingarda, do lenço ao cobertor, da chita à escova de dentes.
TEXTO 2
No século 19, o comércio dos regatões era feito, então, com base em relações tecidas com quilombolas, pequenos produtores, comerciantes locais e indígenas, constituindo relação comercial alternativa ao abastecimento da população.
Como parte do patrimônio cultural da Amazônia, o regatão foi fundamental, no século 19, para a
Resolução comentada
Os textos tratam do regatão, comerciante fluvial que percorria os rios da Amazônia em embarcações carregadas de mercadorias "da agulha à espingarda". O primeiro texto descreve a embarcação e a variedade de produtos; o segundo informa que, no século XIX, o comércio dos regatões se apoiava em relações com quilombolas, pequenos produtores, comerciantes locais e indígenas, formando um abastecimento alternativo da população.
O trecho que resolve a questão é esse: o regatão tecia relações com grupos muito diferentes e espalhados por rios e matas. Ao circular entre comunidades isoladas, trocando mercadorias, notícias e contatos, ele ligava pessoas e lugares que dificilmente se encontrariam. Daí a importância cultural do regatão para a construção de redes de sociabilidade no interior brasileiro.
Os distratores ultrapassam o que os textos dizem. As rotas de fuga na floresta não aparecem: o comércio é com quilombolas, mas não se fala em auxiliar fugas. A criação de postos de trabalho nos seringais remete a outra dinâmica econômica, o extrativismo da borracha, que o texto não aborda. A divulgação de receitas de fármacos e a ampliação de ambientes de lazer também não têm apoio algum: o texto lista mercadorias e relações comerciais, e não práticas medicinais nem recreativas.