Questão 67 do ENEM 2024 — Sociologia
Evolução da dança no contexto histórico
A valsa vienense é a mais antiga das danças de salão tradicional. É dançada desde a Idade Média, quando os pares davam voltas pelo salão realizando giros em torno de si mesmos em postura fechada. Pelo fato de ser dançada aos pares em contato íntimo, a valsa encantava a sociedade medieval, como também sofria proibições por infringir os “bons costumes”. Originária das danças campestres e folclóricas, no século 16, a aristocracia francesa abandonou a valsa por sua estreita relação com a cultura plebeia, retomando-a posteriormente.
A expressão cultural descrita no texto foi rejeitada no início da Idade Moderna por congregar
Resolução comentada
O texto conta a trajetória da valsa, dança de pares em contato próximo, nascida nas danças campestres e folclóricas. Conforme o texto, no século XVI a aristocracia francesa a abandonou "por sua estreita relação com a cultura plebeia", e só mais tarde a retomou. O assunto é cultura e sociedade: como as elites usam práticas culturais para marcar distinção social.
O trecho-chave é justamente o que explica a rejeição: a valsa vinha da cultura plebeia, isto é, do povo, dos camponeses. Para a aristocracia do início da Idade Moderna, dançar algo associado às camadas populares significava se misturar com elas, o que ia contra o desejo de se diferenciar. Por isso a dança foi rejeitada por congregar elementos provenientes de segmentos populares.
Cuidado com os distratores, que soam históricos mas não aparecem no texto. Feitiçaria nórdica e rituais pagãos são referências inventadas ou deslocadas: o texto fala de danças campestres e folclóricas, não de práticas mágicas ou religiosas. Regras do período renascentista não consta: o texto situa a dança na Idade Média e em origem camponesa, e não em normas do Renascimento. E compassos de territórios colonizados não faz sentido, pois a origem apontada é rural e europeia, não colonial.