Questão 66 do ENEM 2024 — História
O bispo Bartolomeu de Las Casas é o homem mais odiado da América, o anti-Cristo dos senhores, o açoite destas terras. Por sua culpa, o imperador promulgou novas leis que despojam de escravos índios os filhos dos conquistadores. O que será deles sem os braços que os sustentam nas minas e nas lavouras? As novas leis estão arrancando a comida de suas bocas. Las Casas é o homem mais amado da América. Voz dos mudos, teimoso defensor dos que recebem pior tratamento que o esterco das praças, denunciador de quem por cobiça converte Jesus Cristo no mais cruel dos deuses e o rei em lobo faminto de carne humana.
Os diferentes pontos de vista presentes no texto expressam que o bispo era, ao mesmo tempo,
Resolução comentada
O texto trata de frei Bartolomeu de Las Casas, bispo dominicano do século XVI que denunciou a violência da conquista espanhola contra os indígenas na América. Em 1542, a Coroa espanhola promulgou as chamadas Novas Leis, que restringiam a escravização indígena e as encomiendas, e o trecho se refere a elas quando diz que o imperador "despojou de escravos índios os filhos dos conquistadores".
A questão pede os dois pontos de vista contrastantes. No primeiro, Las Casas é "o homem mais odiado da América, o anti-Cristo dos senhores": quem o odeia são os conquistadores e colonos, que perderam a mão de obra nativa nas minas e lavouras. No segundo, é "o mais amado", "voz dos mudos, teimoso defensor" dos que sofrem pior tratamento que o esterco: quem o ama são os povos indígenas, por ele defendidos. A alternativa correta junta exatamente esses dois polos: detestado pelos colonizadores e respeitado pelos povos do lugar.
Os distratores erram os sujeitos. Dizer que ele era execrado pelos reis contradiz o texto, pois foi o imperador que promulgou as leis a seu favor. Falar em ser idolatrado pelos governantes ou desrespeitado pela metrópole também inverte o papel da Coroa. Por fim, atribuir a admiração a negociantes de negros ou o desprezo a excluídos não tem apoio: o texto fala em índios, não em africanos escravizados, e quem se beneficiava do trabalho compulsório era quem o criticava.