Questão 60 do ENEM 2024 — Geografia
A mais plural das COPs e a lição de casa para o Brasil
A vigésima sexta Conferência do Clima das Nações Unidas foi realizada com a perspectiva de que os países tornassem ainda mais ambiciosos os compromissos assumidos no enfrentamento das mudanças climáticas, de modo a evitar que a temperatura global se eleve acima de 1,5 grau Celsius, marca que já vinha sendo discutida desde o Acordo de Paris, de 2015.
A pressão do setor empresarial, que se posicionou de maneira contundente nesta COP-26, gerou impacto positivo. O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) capitaneou, por meio do movimento Empresários pelo Clima, a adesão de 119 CEOs de importantes empresas e 14 instituições do setor privado, de setores tão diversos como agronegócio, alimentício, aviação, elétrico, farmacêutico, finanças, infraestrutura, logística, papel e celulose, petroquímico, saúde, tecnologia, telefonia e varejo.
O Brasil deixa a conferência com o compromisso de fazer valer sua meta e reduzir 50 por cento dos gases de efeito estufa até 2030 em relação aos níveis de 2005 — anteriormente, a meta de redução era de 43 por cento.
Conforme o texto, o compromisso assumido pelo Brasil foi resultado dos tensionamentos promovidos por
Resolução comentada
O texto comenta a COP-26, conferência do clima da ONU, realizada com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo de 1,5 grau Celsius, meta já discutida desde o Acordo de Paris (2015). O Brasil saiu dela com a promessa de reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, em relação a 2005, e não mais 43%. A pergunta é quem pressionou para que esse compromisso fosse assumido.
Há duas forças no texto. De um lado, a própria conferência: um organismo supranacional, ligado às Nações Unidas, que reúne vários países e cobra metas mais ambiciosas. De outro, a "pressão do setor empresarial", que "gerou impacto positivo": o movimento Empresários pelo Clima, liderado pelo CEBDS, que reuniu 119 CEOs e 14 instituições privadas. Empresas e suas entidades são organizações da sociedade civil, não do governo. Por isso a opção que une organismos supranacionais e sociedade civil é a que decorre do texto.
Os outros pares trazem agentes que o texto não cita como responsáveis pela pressão. Povos ribeirinhos e segmentos culturais, grupos científicos e universidades públicas, ou instituições militares não aparecem. Os blocos econômicos também não. A opção que fala em agentes governamentais e demanda turística está errada porque o texto mostra a pressão vindo de fora do governo, e o turismo nunca é mencionado. Em Humanas, o cuidado é este: a afirmação pode até ser plausível no mundo real, mas só vale o que o texto sustenta.