Questão 58 do ENEM 2024 — Sociologia
Reivindicação dos direitos da mulher
Mary Wollstonecraft
Atribuo a causa desse florescimento estéril a um sistema de educação falso, extraído de livros sobre o assunto escrito por homens que, ao considerar as mulheres mais como fêmeas do que como criaturas humanas, estão mais ansiosos em torná-las damas sedutoras do que esposas afetuosas e mães racionais. O entendimento do sexo feminino tem sido tão distorcido por essa homenagem ilusória de que as mulheres civilizadas de nosso século, com raras exceções, anseiam apenas inspirar amor, quando deveriam nutrir uma ambição mais nobre e exigir respeito por suas capacidades e virtudes.
Nesse texto, escrito no século 18, a autora reivindica para as mulheres a.
Resolução comentada
O trecho é de Mary Wollstonecraft, em Reivindicação dos direitos da mulher (1792), obra pioneira do feminismo, escrita em pleno Iluminismo. A autora critica um sistema de educação feito por homens, que tratam as mulheres "mais como fêmeas do que como criaturas humanas" e as preparam para serem "damas sedutoras", em vez de pessoas racionais.
O ponto central aparece no final: as mulheres, diz ela, "anseiam apenas inspirar amor, quando deveriam nutrir uma ambição mais nobre e exigir respeito por suas capacidades e virtudes". Wollstonecraft reivindica, assim, que as mulheres sejam reconhecidas como seres racionais, com capacidades e méritos próprios, e não como objetos de sedução. Trata-se da valorização do papel social da mulher, a ser alcançada por meio de uma educação igual à dos homens, que formaria "esposas afetuosas e mães racionais".
Cuidado com as demais opções, que são pautas feministas reais, mas posteriores ou não citadas no trecho. A "recuperação" da participação política é anacrônica e inexata, pois a autora não fala em algo que as mulheres tivessem perdido e, no século 18, o sufrágio feminino ainda nem era debatido em larga escala. A equiparação salarial e a ocupação de cargos públicos não são mencionadas. E a "distinção de padrões biológicos" vai contra a argumentação dela, que critica justamente reduzir a mulher à condição de fêmea.