Questão 39 do ENEM 2024 — Língua Portuguesa

Maranhenses que moram longe matam a saudade da terra natal usando expressões próprias do estado. Se o maranhês impressiona e desperta a curiosidade de quem mora no próprio Maranhão, imagine de quem vem de outros estados e países? A variedade linguística local é enorme e o modo de falar tão próprio e característico dos maranhenses vem conquistando muita gente e inspirando títulos e muito conteúdo digital com a criação de podcasts, blogs, perfis na internet, além de estampar diversos tipos de produtos e serviços de empresas locais.
Com saudades do Maranhão, morando há 16 anos no Rio de Janeiro, um fotógrafo maranhense criou um perfil na internet no qual compartilha a culinária, brincadeiras e o ‘dicionário’ maranhês. “A primeira vez que fui a uma padaria no Rio, na inocência, pedi 3 reais de ‘pães misturados’. Quando falei isso, as pessoas pararam e me olharam de uma forma bem engraçada, aí já fiquei ‘encabulado, ó’ e o atendente sorriu e explicou que lá não existia pão misturado e, sim, pão francês e suíço. Depois foi a minha vez de explicar sobre os pães ‘massa grossa e massa fina’”, contou o fotógrafo, com humor.

A vivência relatada no texto evidencia que as variedades linguísticas

A
impedem o entendimento mútuo.
B
enaltecem o português do Maranhão.
✓
são constitutivas do português brasileiro.
D
exigem a dicionarização dos termos usados.
E
são restritas a situações coloquiais de comunicação.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

O texto é uma reportagem sobre o "maranhês", o modo de falar dos maranhenses, que se tornou tema de perfis, podcasts e produtos. O relato central é o de um fotógrafo que, no Rio de Janeiro, pediu "pães misturados" numa padaria e causou estranhamento: lá o pão se chama "francês" ou "suíço", enquanto no Maranhão se diz "massa grossa" e "massa fina".

A cena mostra que o mesmo objeto recebe nomes diferentes em cada região, sem que isso signifique que uma forma seja certa e a outra errada. O atendente "sorriu e explicou", o fotógrafo depois explicou os termos dele, e os dois se entenderam por meio da negociação. O texto diz ainda que a "variedade linguística local é enorme". Fica claro que as variedades fazem parte do modo como o português é falado no Brasil, ou seja, são constitutivas do português brasileiro.

Os distratores forçam a leitura. Dizer que as variedades impedem o entendimento mútuo exagera o estranhamento inicial, que foi resolvido na conversa. A ideia de que enaltecem o português do Maranhão destaca a variedade local, mas a pergunta trata de variedades em geral, e o episódio mostra convívio, e não superioridade. Afirmar que exigem dicionarização dos termos confunde o "dicionário" do perfil, uma brincadeira, com uma necessidade. E a ideia de que se restringem a situações coloquiais é contrariada pelo texto, que fala de podcasts, livros, produtos e empresas, e não só de conversas informais.

Quer treinar Língua Portuguesa para o ENEM de verdade?
Crie sua conta grátis: 10 questões por dia com correção na hora, simulados no formato da prova e estatísticas do seu desempenho.
Começar grátis