Questão 23 do ENEM 2024 — Artes
TEXTO 1
A linguagem visual dos adornos transmite informações sobre prestígio e transgressão, direito e dever, pois só é permitido ao indivíduo o uso de adornos de sua linhagem. Quando diretamente vinculadas aos conceitos cosmológicos, as artes indígenas convertem-se antes em prismas que refletem as concepções acerca da composição do universo e dos componentes que o povoam.
TEXTO 2

Diadema (etnia Kayapó). Estados do Mato Grosso e Pará. Museu de Arte Indígena, s.d.
Pela leitura desses textos, infere-se que a compreensão da arte plumária indígena requer a consideração da
Resolução comentada
Os dois textos se complementam. O primeiro, de caráter teórico, afirma que os adornos indígenas transmitem informações sobre "prestígio e transgressão, direito e dever", pois cada indivíduo só pode usar os adornos de sua linhagem, e que a arte indígena reflete concepções sobre a composição do universo. O segundo é uma imagem: um diadema Kayapó, em forma de grande arco de penas azuis, verdes, amarelas e pretas, com cordões brancos pendentes e penas vermelhas eretas no topo, fotografado sobre fundo preto.
Perceba o raciocínio pedido. A pergunta quer uma inferência: o que é preciso considerar para compreender a arte plumária? O texto diz que o adorno não é só enfeite: ele comunica quem a pessoa é, a que linhagem pertence e quais direitos e deveres tem, além de se ligar à cosmologia do grupo. Assim, o diadema é, ao mesmo tempo, objeto ritual, artístico e social, e seu sentido depende dos papéis desempenhados pelos indivíduos na comunidade.
Isso corresponde à alternativa que fala em indissociabilidade entre objetos ritualísticos e os papéis dos indivíduos na comunidade.
Os distratores contradizem o texto. A indistinção hierárquica é negada pela ideia de prestígio e de uso restrito à linhagem. A prevalência da natureza sobre as relações humanas ignora que o adorno exprime relações sociais. A reconfiguração constante das representações coletivas não tem apoio: o texto fala de concepções cosmológicas estáveis. E a indeterminação entre identidade individual e cultural confunde o argumento, já que o adorno marca justamente a posição de cada pessoa dentro do grupo.