Questão 16 do ENEM 2024 — Artes

TEXTO 1

Descrição da escultura: A obra Cabeça de uma figura feminina, de autor anônimo, de cerca de 2700 a 2500 anos antes de Cristo, representa uma cabeça com a parte superior levemente achatada e rosto bastante arredondado, com nariz fino e alongado e pescoço fino.

TEXTO 2

Descrição da escultura: A obra Cabeça de mulher, de Amedeo Modigliani, de cerca de 1910 a 1911, representa uma cabeça bastante fina e alongada, com cabelos curtos e volumosos, franja, sobrancelhas finas, olhos amendoados, nariz fino e extremamente alongado, boca pequena e orelhas. O pescoço é fino e comprido, posicionado sobre uma base quadrada.

A leitura comparativa das duas esculturas, separadas por mais de 2 500 anos, indica a

A
A valorização da arte antiga por artistas contemporâneos.
B
resistência da arte escultórica aos avanços tecnológicos.
C
simplificação da forma em razão do tipo de material utilizado.
✓
persistência de padrões estéticos em diferentes épocas e culturas.
E
ausência de detalhes como traço distintivo da arte tradicional popular.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Os dois textos são imagens de esculturas: à esquerda, uma cabeça de mármore claro, arredondada, quase um ovo, com nariz em relevo e olhos apenas sugeridos por linhas finas; à direita, uma cabeça de pedra mais escura, alongada, com nariz comprido, olhos em amêndoa, pescoço longo e base retangular. A pergunta pede uma leitura comparativa entre obras separadas por mais de 2 500 anos.

Note o que se repete: em ambas, o rosto é estilizado, sem expressão realista, com a face reduzida a poucos elementos (nariz marcante, olhos discretos, boca ausente ou mínima) e proporções alongadas e geometrizadas. A segunda peça, do início do século XX, retoma o mesmo gosto pela síntese e pela simplificação que aparece na escultura antiga. Esse parentesco formal, apesar da distância no tempo e na cultura de origem, é o dado central da comparação.

Por isso se sustenta a alternativa que fala em persistência de padrões estéticos em diferentes épocas e culturas: as imagens mostram soluções visuais semelhantes reaparecendo em contextos distintos.

Os distratores não resistem. A opção que fala em valorização da arte antiga por artistas contemporâneos pressupõe uma intenção de homenagem que as imagens e o enunciado não comprovam; a comparação é de forma, não de influência declarada. A que trata da resistência da escultura aos avanços tecnológicos foge do assunto, pois nada nas peças remete a tecnologia. A que atribui a simplificação ao tipo de material ignora que os dois suportes são pedras diferentes e que a síntese é escolha estética. Por fim, a que afirma a ausência de detalhes como traço da arte tradicional popular generaliza algo que os textos não mostram.

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