Questão 9 do ENEM 2023 — Língua Portuguesa

É vantajoso que as crianças possam entender o funcionamento por trás da tecnologia que está presente em diversos aspectos da vida cotidiana, aproveitando a curiosidade infantil como impulso inicial. A computação ajuda a desenvolver o raciocínio, a melhorar a comunicação e a trabalhar a capacidade de resolver problemas. Os computadores executam tarefas por meio de comandos dados em uma programação. Essa, por sua vez, é feita com linguagens próprias, que funcionam como uma espécie de “idioma”, por meio do qual o programador se comunica com as máquinas. Porém, mais do que dominar essas linguagens, o programador precisa empregar a lógica computacional. O programador precisa expressar em seu código as condições e seus efeitos, como “se acontecer A, faça B, a não ser que haja X, então faça C”. A escrita de um algoritmo é repleta de condições interconectadas, do tipo “se”, “então”, “senão”, “ou”, “até que”, “enquanto” etc. Por isso, para programar, é necessário compreender esse tipo de raciocínio. Para as crianças, isso é tarefa fácil; afinal elas têm uma capacidade incrível de assimilar informações novas.

Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 25 nov. 2021.

Esse texto promove uma reflexão sobre o ensino de programação na infância. A defesa da proposta está ancorada na caracterização da programação com base na sua

A
conexão com aspectos lúdicos da infância.
B
autonomia em relação ao raciocínio lógico.
C
presença crescente no dia a dia das pessoas.
✓
similaridade com o funcionamento das línguas.
E
capacidade de inovação na resolução de tarefas.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A questão pede que você identifique em que característica da programação o texto apoia a defesa de seu ensino na infância.

O texto começa afirmando que é vantajoso as crianças entenderem a tecnologia presente no cotidiano. Depois descreve a programação por meio de uma comparação: os computadores executam tarefas por meio de comandos dados em uma programação, “feita com linguagens próprias, que funcionam como uma espécie de ‘idioma’, por meio do qual o programador se comunica com as máquinas”.

Mais adiante, o autor mostra que programar exige expressar “condições interconectadas, do tipo ‘se’, ‘então’, ‘senão’, ‘ou’, ‘até que’, ‘enquanto’”, ou seja, conectivos e estruturas lógicas próprios da língua. Por fim conclui que, para as crianças, isso é “tarefa fácil”, porque elas têm “uma capacidade incrível de assimilar informações novas”, a mesma capacidade com que aprendem a falar.

A resposta é a similaridade com o funcionamento das línguas. A conexão com o lúdico não aparece no texto (a curiosidade infantil é só impulso inicial); a programação não é autônoma em relação ao raciocínio lógico, pelo contrário, depende dele; a presença crescente no dia a dia é apenas o ponto de partida do texto, não a base do argumento; e a capacidade de inovação na resolução de tarefas não é a característica usada para justificar o ensino.

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