Questão 75 do ENEM 2023 — História

A história da interiorização da própria presença do Estado nacional brasileiro na Amazônia se deve em grande parte aos serviços de saúde pública e sua íntima relação com o combate às chamadas endemias rurais — como malária, leishmaniose, doença de Chagas, brucelose, febre amarela, esquistossomose, ancilostomose e bócio endêmico — que motivaram gerações de cientistas e sanitaristas no controle de doenças na região. É impossível resistir à comparação histórica com a gripe espanhola. A gripe espanhola grassou em Belém e na região, que vivenciavam um frágil estado sanitário após o ciclo da borracha. A introdução da doença por rios e mares, o número reduzido de médicos e os registros de mortes acentuados nas periferias marcaram aquele momento do mundo pós-Primeira Guerra Mundial.

MUNIZI, E. S. A interiorização da covid-19 na Amazônia: reflexões sobre o passado e o presente

da saúde pública. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, n. 3, jul.-set. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, o Estado se fez presente na Amazônia com ações para

A
oferecer formação técnica aos nativos.
B
prestar proteção militar às populações.
C
expor padrões higienistas aos indígenas.
✓
garantir direitos fundamentais aos cidadãos.
E
impedir acesso estrangeiro às comunidades.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A questão pede a forma como, segundo o texto, o Estado brasileiro se fez presente na Amazônia.

O autor diz que a "interiorização da presença do Estado nacional" na região se deve aos serviços de saúde pública e ao combate às endemias rurais, como malária, doença de Chagas e febre amarela. Ele lembra ainda a gripe espanhola, que atingiu Belém num contexto de frágil estado sanitário, com poucos médicos e muitas mortes na periferia.

Combater doenças e oferecer atendimento é cuidar da vida e da saúde da população, que é um direito fundamental. Portanto, a presença estatal descrita pelo texto se deu pela garantia de direitos básicos aos cidadãos.

A resposta é garantir direitos fundamentais aos cidadãos. As outras ideias fogem do texto: ele não trata de formação técnica de nativos, de proteção militar, nem de impedir o acesso estrangeiro. Também não fala em impor padrões higienistas aos indígenas, pois o foco são as doenças que afetavam as populações da região, indígenas ou não, e o controle delas por sanitaristas.

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