Questão 7 do ENEM 2023 — Artes
Jon Lord, fundador do Deep Purple, era um caso raro na música. Depois de uma carreira bem-sucedida como tecladista de duas das maiores bandas de rock do planeta, aposentou-se em 2002 para compor peças eruditas. Para ele, clássico e popular eram apenas aspectos de uma mesma entidade, a boa música. O caminho era quase natural. Tendo aprendido a tocar os clássicos no piano, Lord apaixonou-se pelo rock ao ouvir Buddy Holly e começou a tocar em combos de jazz, rhythm’n’blues e depois rock. Em 1969, aos 27 anos, ele compôs, com a ajuda do maestro Malcolm Arnold, um Concerto para grupo e orquestra, temperando a estrutura de uma peça erudita com a eletricidade agressiva da fase mais criativa do Deep Purple, a mesma equipe que comporia Smoke on the Water em 1972.
SOARES, M. Jon Lord foi um pioneiro na fusão entre rock e erudito. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 16 nov. 2021 (adaptado).
A circulação do tecladista Jon Lord (1941-2012) entre gêneros aparentemente distantes como o rock e a música erudita foi possível porque ele
Resolução comentada
A questão pede a razão pela qual Jon Lord conseguiu transitar entre rock e música erudita, o que se resolve procurando no texto a explicação dada pelo autor.
O texto diz que, para Lord, “clássico e popular eram apenas aspectos de uma mesma entidade, a boa música”. Isso mostra que ele não via diferença de valor entre os gêneros. A trajetória confirma: ele “aprendeu a tocar os clássicos no piano”, depois “apaixonou-se pelo rock”, passou por “combos de jazz, rhythm’n’blues e depois rock” e, em 1969, compôs um “Concerto para grupo e orquestra”, “temperando a estrutura de uma peça erudita com a eletricidade agressiva” do Deep Purple.
Essa mistura mostra um músico que não aceitou fronteiras entre estilos e se abriu a todos eles.
A resposta é que ele superou eventuais barreiras estéticas ao se abrir para novos estilos musicais. As demais opções trazem informações que o texto não sustenta: viagens e turnês (nada é dito sobre países e culturas), a ideia de que ele só se aventurou em novas estéticas depois da aposentadoria (o concerto é de 1969, bem antes de 2002), o reconhecimento de que a música popular seria limitada (o texto diz o contrário, que ambos são “boa música”) e uma adaptação motivada pelo sucesso do grupo.