Questão 3 do ENEM 2023 (ingles) — Inglês
Our physical alienation from India almost inevitably means that we will not be capable of reclaiming precisely the thing that was lost; that we will, in short, create fictions, not actual cities or villages, but invisible ones, imaginary homelands, Indias of the mind. […] It may be argued that the past is a country from which we have all emigrated […], but I suggest that the writer who is out-of-country and even out-of-language may experience this loss in an intensified form.
RUSHDIE, S. Imaginary Homelands. Londres: Vintage Books, 2010 (adaptado).
Nesse fragmento de texto, ao abordar a literatura anglo-indiana, o autor Salman Rushdie ressalta a relação entre criação literária e
Resolução comentada
A questão pede a relação que Salman Rushdie estabelece entre criação literária e uma condição do escritor, a partir do ensaio “Imaginary Homelands”.
Rushdie começa dizendo: “Our physical alienation from India almost inevitably means that we will not be capable of reclaiming precisely the thing that was lost” (“Nosso afastamento físico da Índia quase inevitavelmente significa que não seremos capazes de recuperar exatamente aquilo que foi perdido”). Por isso os escritores “create fictions, not actual cities or villages, but invisible ones, imaginary homelands, Indias of the mind” (“criam ficções, não cidades ou vilarejos reais, mas invisíveis, pátrias imaginárias, Índias da mente”).
Ele fecha com a ideia de que “the past is a country from which we have all emigrated” (“o passado é um país do qual todos emigramos”), e que o escritor “out-of-country and even out-of-language” (fora do país e até fora da língua) sente essa perda de forma intensificada. A literatura nasce, portanto, da distância em relação à origem: o escritor imagina uma Índia porque não pode mais voltar à Índia real.
A resposta é o distanciamento das raízes culturais. O desejo de retorno é sugerido, mas o autor diz justamente que não será possível recuperar o que se perdeu, e o foco é a criação e não o retorno. As opções sobre narrativas de espaços urbanos (as “cities” são imaginárias, apenas um exemplo), consequências da imigração asiática em geral e invisibilidade de autores indianos transformam um detalhe ou uma palavra (“invisible ones”) em tema central, o que o texto não faz.