Questão 28 do ENEM 2023 — Língua Portuguesa

A palavra saudade faz parte do vocabulário cotidiano dos portugueses e, também, do povo brasileiro. Mas afinal, qual é a sua verdadeira origem? Existem algumas especulações sobre a origem de saudade. Há quem defenda que a palavra vem do árabe saudah. Outros entendem que a sua origem vem do latim sólitas, que significa solidão.

Alguns especialistas indicam que palavras como saud, saudá e suaida significam “sangue pisado” e “preto dentro do coração”. A metáfora perfeita para alguém que carrega no seu coração uma profunda tristeza, tristeza esta que pode ser causada pela saudade. Os árabes utilizam o termo as-saudá quando querem se referir a uma doença do fígado, diagnosticada por eles como “melancolia do paciente”.

Em certos idiomas, o significado de solitate foi mantido, como é o caso do castelhano (soledad), do italiano (solitudine) ou do francês (solitude). Em português e no galego (soidade), alterou-se com o tempo. Assim sendo, quando alguém dizia “tenho saudades de casa” significava que sentia “solidão” por não estar em casa. De qualquer forma, os portugueses foram atribuindo outros significados a  saudade. Dizem até que passou a fazer parte do dicionário dos portugueses no tempo dos Descobrimentos Marítimos. Saudade definia a solidão que os portugueses tinham da sua terra, familiares e amigos, quando estes partiam para o Brasil.

Disponível em: www.natgeo.pt. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).

Esse texto, que trata da acepção da palavra “saudade” em vários idiomas, tem como objetivo

A
questionar sua evolução histórica.
✓
especular sobre suas origens etimológicas.
C
explicar seu processo de dicionarização.
D
problematizar seus diferentes sentidos na sociedade.
E
defender a tese acerca de sua origem desconhecida.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

A questão pede o objetivo do texto, que trata das acepções e da origem da palavra “saudade”.

Observe como o autor se posiciona: ele abre com uma pergunta, “qual é a sua verdadeira origem?”, e então apresenta hipóteses: “Existem algumas especulações”, “Há quem defenda que a palavra vem do árabe saudah”, “Outros entendem que a sua origem vem do latim sólitas”, “Alguns especialistas indicam...”. Ao longo do texto aparecem várias possibilidades de origem e de sentido, sempre em tom de conjectura (“Dizem até que...”), sem que se feche uma conclusão.

Ou seja, o texto reúne e compara hipóteses etimológicas, isto é, sobre a origem e a formação da palavra, e por isso o objetivo é especular sobre essa origem.

A resposta é especular sobre as origens etimológicas da palavra. Questionar a evolução histórica e problematizar sentidos na sociedade pressupõem uma postura crítica que o texto não assume, pois ele apenas informa as hipóteses. Explicar o processo de dicionarização cobre só uma frase final, e defender a tese de uma origem desconhecida impõe uma conclusão que o texto não formula.

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