Questão 14 do ENEM 2023 — Língua Portuguesa

Construindo uma irmandade da língua

A ideia de que a língua portuguesa é pertença de todos os seus falantes é hoje quase pacífica. Só meia dúzia de ultranacionalistas portugueses insiste ainda no disparate de se julgar proprietário exclusivo do idioma. Aliás, ao contrário da Commonwealth e da francofonia, a irmandade da língua portuguesa não tem um único centro ou voz dominante, e essa é precisamente uma das suas maiores virtudes.

AGUALUSA, J. E. O Globo, 8 maio 2021 (adaptado).

Nesse texto, o termo “Aliás” articula dois enunciados envolvidos numa mesma relação argumentativa, construindo, para o segundo, uma ideia de

A
questionamento da origem da língua portuguesa.
B
semelhança de condições sociais dos falantes do português.
✓
acréscimo de fato comprobatório sobre a língua portuguesa.
D
comparação entre o português brasileiro e o europeu.
E
relevância do português sobre o inglês e o francês.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão pede a função argumentativa do conector “Aliás”, ou seja, que relação ele estabelece entre as duas frases do trecho.

O primeiro enunciado afirma que “só meia dúzia de ultranacionalistas portugueses insiste ainda no disparate de se julgar proprietário exclusivo do idioma”. O segundo traz: “ao contrário da Commonwealth e da francofonia, a irmandade da língua portuguesa não tem um único centro ou voz dominante”. Repare que a segunda frase não contradiz nem compara com a primeira: ela traz um dado novo que reforça a tese de que o idioma pertence a todos os falantes.

“Aliás” é um marcador de acréscimo: introduz um argumento adicional, muitas vezes posto como um detalhe decisivo, que sustenta o que foi dito antes. É exatamente o que acontece aqui, pois a ausência de um centro dominante funciona como prova de que ninguém é dono exclusivo da língua.

A resposta é o acréscimo de fato comprobatório sobre a língua. As opções que falam em questionar a origem do português, em comparar o português do Brasil com o de Portugal ou em afirmar a superioridade sobre o inglês e o francês não têm apoio no texto: ele compara a organização da lusofonia com a da Commonwealth e da francofonia apenas quanto à ausência de um centro, sem hierarquizar. Já a ideia de semelhança de condições sociais dos falantes nem é mencionada.

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