Questão 11 do ENEM 2023 — Língua Portuguesa

A solidão nas cidades grandes é muito mais um sinal da precariedade do sentido da comunidade e da convivência, é mais um problema sociocultural do que de escolha individual. Certamente ela reflete a impossibilidade de retornar às florestas, como um dia fez Henry Thoreau. As florestas estão em extinção, assim como, curiosamente, a ideia de humanidade. Resta fugir para a moderna caverna na selva de pedra — sem querer reeditar lugares-comuns — que é a casa de cada um. A solidão é, assim, a categoria política que expressa a nostalgia de uma vivência de si mesmo. Ela é, por isso, a tentativa de preservar a subjetividade e a intimidade consigo mesmo que não tem lugar no contexto de relações sociais transformadas em mercadorias baratas. A sociedade da antipolítica precisa tratar a solidão como uma pena e um mal-estar quando não consegue olhar para a miséria da vez: o fetiche da hiperconectividade, que ilude que não somos sozinhos.

TIBURI, M. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br. Acesso em: 7 out. 2011.

Marcia Tiburi trata de um tema relevante para a sociedade moderna: a convivência interpessoal e a hiperconectividade vivenciada no ciberespaço. O texto classifica-se, quanto ao gênero textual, como artigo de opinião, porque

A
busca resolver a causa da perda de sentido ocorrida na convivência interpessoal.
B
procura definir a solidão como uma epidemia que está além das doenças humanas.
C
tenta explicar o comportamento do homem contemporâneo tendo como padrão o homem das cavernas.
✓
objetiva expressar o ponto de vista de que o mal-estar provocado na sociedade decorre da hiperconectividade.
E
procura discutir os desejos dos antipolíticos que destroem a intimidade na tentativa de preservar a subjetividade.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A questão pede que você justifique por que o texto de Marcia Tiburi se classifica como artigo de opinião. As opções vêm incompletas, então vale focar no que caracteriza o gênero.

Um artigo de opinião defende um ponto de vista sobre um tema de interesse social, com argumentos e juízos de valor. No texto, a autora afirma que “a solidão nas cidades grandes é muito mais um sinal da precariedade do sentido da comunidade e da convivência, é mais um problema sociocultural do que de escolha individual”. Ela argumenta, usa comparações (as florestas, Thoreau, a “moderna caverna na selva de pedra”) e conclui criticando “o fetiche da hiperconectividade, que ilude que não somos sozinhos”.

A conclusão é que a sociedade trata a solidão como uma pena e um mal-estar, quando o problema está na hiperconectividade. Isso é posicionamento crítico e argumentação sobre um tema atual, não simples informação nem narrativa.

A resposta é a que fecha a frase com o mal-estar provocado na sociedade decorre da hiperconectividade, pois é o ponto de vista defendido no texto. As demais opções são fragmentos que não sustentam a classificação: falam de convivência interpessoal em geral, de doenças humanas, do homem das cavernas como padrão ou de intimidade e subjetividade sendo destruídas, e nenhuma delas descreve a defesa de uma tese, que é o que define o artigo de opinião.

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