Questão 62 do ENEM 2023 — Geografia
Enormes alto-falantes sul-coreanos instalados na fronteira com o Norte costumavam transmitir desde canções em estilo K-pop (como é chamado o pop sul-coreano) até boletins climáticos e noticiário crítico ao vizinho comunista. O Norte costuma praticar atividade semelhante, transmitindo por seus alto-falantes discursos críticos a Seul e aliados. Durante os anos 1980, o governo sul-coreano construiu um mastro de 97 metros de altura para hastear sua bandeira no povoado de Daesong-dong, na fronteira com o Norte. O Norte respondeu com a construção de um mastro ainda mais alto (160 m) na cidade fronteiriça de Gijung-dong. “Essas demonstrações são uma válvula de escape competitiva e importante entre os dois lados, fora de um possível conflito militar”, diz o analista Ankit Panda.
TAN, Y. Disputa de mastros e alto-falantes com K-pop: as pequenas picuinhas do conflito entre as Coreias. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 7 nov. 2021 (adaptado).
Os atos de competição citados têm suas origens históricas vinculadas a um contexto de
Resolução comentada
As duas Coreias disputam quem tem o alto-falante mais alto ou o mastro mais alto desde a divisão do território após a Guerra Fria, um confronto entre um regime comunista e um capitalista. Essas disputas simbólicas nascem de divergências político-ideológicas entre agentes estatais, funcionando como uma "válvula de escape" para a tensão entre os dois governos.
Citar o K-pop como se a disputa fosse sobre domínio cultural-identitário desvia o foco: a música é só um instrumento usado pelo Estado sul-coreano; a raiz do conflito é a divisão política entre os dois governos desde a Guerra Fria.