Questão 68 do ENEM 2022 — História
O testemunho nunca é um relato exato do que aconteceu. Na verdade, ao expor seu passado, o sujeito está sempre procedendo a uma reelaboração pela qual memórias tidas como negativas podem, consciente ou inconscientemente, ser esquecidas. Em certos momentos, simplesmente para seguir em frente, é preciso esquecer.
VASCONCELOS, C. B. As análises da memória: balanço e possibilidades. Estudos Históricos, n. 43, jan.-jun. 2009 (adaptado). O texto ressalta um aspecto fundamental da produção de memória ao identificá-la como
Resolução comentada
A questão pede que você identifique que característica da memória o texto ressalta ao tratar do testemunho.
O autor diz que o testemunho "nunca é um relato exato do que aconteceu": ao falar do passado, o sujeito o reelabora e pode, de forma consciente ou não, esquecer memórias negativas, às vezes apenas "para seguir em frente". Repare nas ideias de reelaboração e esquecimento: a pessoa não guarda tudo, ela escolhe, mesmo sem perceber, o que lembrar e o que deixar de lado.
Essa escolha do que permanece e do que é apagado mostra que a memória é seletiva. Para quem estuda História, isso exige cuidado ao usar relatos orais e testemunhos como fonte, pois eles refletem a subjetividade e as necessidades de quem lembra.
A resposta é a seletividade das lembranças. A memória constituída de intuições do narrador não aparece no texto. Dissociada do contexto de surgimento contraria a ideia de reelaboração a partir do presente. A uniformidade dos relatos é incompatível com a variação própria de cada lembrança. O compartilhamento das vivências também não é discutido: o foco é o esquecimento individual.