Questão 56 do ENEM 2022 — Filosofia
A história conheceu dois grandes títulos para governar os homens: um que se deve à filiação humana ou divina, ou seja, a superioridade no nascimento; e outro que se deve à organização das atividades produtoras e reprodutoras da sociedade, ou seja, o poder da riqueza. As sociedades são habitualmente governadas por uma combinação desses dois títulos.
RANCIÈRE, J. O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014. O texto evoca duas explicações acerca da legitimidade do governo nas sociedades ocidentais. Na história recente das democracias, o fenômeno que resulta da combinação mencionada aponta a presença de
Resolução comentada
A questão pede que você aplique a ideia de Rancière sobre os dois títulos de governo, o nascimento e a riqueza, para identificar o fenômeno que a combinação deles gera nas democracias recentes.
O autor diz que governar sempre se justificou por dois motivos: a superioridade de nascimento (filiação nobre ou divina) e o poder da riqueza (quem controla a produção). Quando essas duas fontes se combinam, o poder se concentra em famílias e grupos tradicionais e abastados, que se mantêm no comando por herança de prestígio e por capital econômico, mesmo em regimes formalmente democráticos.
A resposta correta é a que aponta a presença de oligarquias nas casas legislativas: pequenos grupos de elite política e econômica que ocupam de modo recorrente os espaços de decisão, como câmaras e parlamentos.
As demais opções descrevem problemas da vida pública que não derivam dessa combinação. Burocracias dos órgãos estatais e degradação nas estruturas fiscais são questões administrativas. A corrupção nas práticas eleitorais é uma consequência possível, mas o texto trata de quem governa e por que, e não de fraude. Já o fortalecimento das siglas partidárias não tem relação com nascimento e riqueza como títulos de poder.