Questão 40 do ENEM 2022 — Educação Física
Uma polêmica relacionada à covid-19 com clara relação com a Educação Física foi a discussão sobre a reabertura ou não das academias de ginástica em plena pandemia. Entre os argumentos apresentados pelos que defendiam a abertura estava o de que o exercício teria um efeito protetor contra a covid-19, pelo fortalecimento do sistema imunológico. A realização dessas práticas pode ser importante para a saúde, inclusive com foco na melhoria/manutenção da saúde mental, mas em muitas recomendações há mais um sentido de “ter que fazer”, com caráter “obrigatório”. Outro ponto ignorado diz respeito ao aconselhamento para a realização de exercícios físicos em casa durante a pandemia, considerando aspectos como a habilidade das pessoas para realizarem essas atividades, suas preferências, as condições das residências etc. Entendemos que essas recomendações, algumas vezes de caráter persecutório e descontextualizadas da realidade de muitas pessoas, não favorecem um olhar mais ampliado sobre a saúde.
LOCH, M. R. et al. A urgência da saúde coletiva na formação em Educação Física: lições com a covid-19. Ciência & Saúde Coletiva, n. 25, 2020 (adaptado).
Segundo o texto, no contexto da pandemia, a relação entre exercício físico e saúde deveria considerar a
Resolução comentada
A questão pede o que o texto defende sobre a relação entre exercício físico e saúde durante a pandemia. Em questões "segundo o texto", a resposta está nas críticas e ressalvas feitas pelos autores.
Os autores criticam as recomendações de exercício que tinham "caráter obrigatório" e eram, "algumas vezes, de caráter persecutório e descontextualizadas da realidade de muitas pessoas". Também chamam atenção para o "aconselhamento para a realização de exercícios físicos em casa", que ignorou "a habilidade das pessoas para realizarem essas atividades, suas preferências, as condições das residências etc.". A conclusão é que isso não favorece "um olhar mais ampliado sobre a saúde". Portanto, as orientações deveriam levar em conta as condições concretas de cada pessoa.
A resposta é a relevância de adaptar as atividades físicas à realidade social dos sujeitos.
As outras ideias não representam a posição dos autores. Manter as academias abertas é um argumento de quem defendia a reabertura, apresentado pelo texto como parte da polêmica, não como posição dos autores. As preferências individuais são só um dos aspectos citados, e a ideia correta é mais ampla, abrangendo habilidade, moradia e contexto social. A obrigatoriedade de praticar em casa vai contra a crítica ao "ter que fazer". E a melhoria das defesas orgânicas é citada como argumento de quem queria abrir as academias, não como o eixo da posição do texto.