Questão 35 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa
Tiranos de nós mesmos: a servidão voluntária na era da sociedade do desempenho
Byung-Chul Han, no opúsculo Sociedade do cansaço, discute a ascensão de um novo paradigma social, em que a sociedade disciplinar de Foucault é substituída pela sociedade do desempenho. Esse novo modelo social é movido por um imperativo de maximizar a produção. Nós, sujeitos de desempenho, somos constante e sistematicamente pressionados a aperfeiçoar nossa performance e a aumentar nossa produção. A crença subjacente, segundo Han, é a de que nada é impossível. Nós podemos fazer tudo. Estamos constantemente pressionados por um poder fazer ilimitado. É um excesso de positividade, que se constitui em verdadeira violência neuronal. E por isso produzimos. Produzimos até a exaustão. E, mesmo cansados, continuamos produzindo. Uma meta é sempre substituída por outra. A tarefa nunca acaba. É frustrante e esgotante. O resultado é uma sociedade que gera fracassados e depressivos, a quem só resta recorrer a medicamentos para continuar produzindo mais eficientemente.
Disponível em: http://justificando.cartacapital.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).
Com base nessa reflexão acerca do livro Sociedade do cansaço, que discute o novo modelo da sociedade do desempenho, o resenhista a
Resolução comentada
A questão cobra a estrutura de uma resenha: o que o resenhista faz, e em que ordem, ao comentar o livro "Sociedade do cansaço".
Acompanhe o texto. Primeiro, ele apresenta o conceito: "a sociedade disciplinar de Foucault é substituída pela sociedade do desempenho", um modelo "movido por um imperativo de maximizar a produção". Depois, expõe os fundamentos da ideia: "A crença subjacente, segundo Han, é a de que nada é impossível", o que gera "um excesso de positividade". Por fim, mostra as consequências: "uma sociedade que gera fracassados e depressivos, a quem só resta recorrer a medicamentos". A sequência é definir, explicar a base e concluir com os efeitos.
A resposta é, portanto, que o resenhista conceitua, apresenta seus fundamentos e conclui com suas consequências.
As outras sequências invertem a ordem ou atribuem ao texto ações que ele não faz. Ele não inicia com argumentos para depois dar exemplos, nem descreve para só no fim conceituar. Também não "exemplifica" no começo nem faz uma avaliação própria dos resultados: o resenhista apenas relata o pensamento de Han, sem emitir julgamento. Por fim, não promove uma discussão com o leitor; resume e organiza as ideias do autor.