Questão 25 do ENEM 2022 — Artes

A partir dos anos 1970, a diversidade étnica e cultural ganha maior reconhecimento com movimentos culturais, tais como o “Tropicalismo”, os “Afrobahianos”, as inserções de referências religiosas afro-brasileiras na Bossa Nova e o “Teatro do Oprimido”. Tudo isso  foi antecipado pelo Movimento de Cultura Popular, fundado por Paulo Freire nos anos de 1960.

MEDEIROS, B. T. F. Quilombos, políticas patrimoniais e negociações. In: BARRIO, A. E.; MOTTA, A.; GOMES, M. H. (Org.). Inovação cultural, patrimônio e educação. Disponível em: http://campus.usal.es. Acesso em: 4 set. 2017 (adaptado).

Essa ideia nacionalista surgiu dos sonhos de Mário de Andrade e da Semana de Arte Moderna de 1922, que visava o(a)

A
incorporação ao patrimônio nacional das culturas negra e portuguesa.
B
representação das realidades social e econômica do início do século.
C
reflexo da igualdade mestiça nos processos de patrimonialização.
✓
ideal da diversidade cultural como categoria identitária nacional.
E
constituição da materialidade e da multiplicidade socioculturais.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A questão cobra o projeto nacionalista do Modernismo brasileiro, a partir de Mário de Andrade e da Semana de Arte Moderna de 1922, e sua ligação com o reconhecimento da diversidade cultural.

O texto-base mostra que, depois dos anos 1970, a diversidade étnica e cultural foi reconhecida por movimentos como o Tropicalismo, os Afrobahianos e o Teatro do Oprimido, e que isso "foi antecipado pelo Movimento de Cultura Popular", dos anos 1960. A pergunta liga essa linha à "ideia nacionalista" dos modernistas. Lembre que a geração de 1922 buscava uma arte genuinamente brasileira, valorizando as raízes indígenas, africanas e populares do país, e não apenas a herança europeia. A identidade nacional, para eles, seria formada justamente pela mistura e pela pluralidade de culturas.

Assim, a resposta é o ideal da diversidade cultural como categoria identitária nacional: a diversidade passa a ser vista como o que define o Brasil.

As demais ideias distorcem essa proposta. Restringir o patrimônio às culturas negra e portuguesa deixa de fora os povos indígenas e outros grupos. Falar em "igualdade mestiça" e em processos de patrimonialização aplica a ideia a um debate posterior, de políticas de patrimônio, e não ao projeto de 1922. A representação das realidades social e econômica do início do século é objetivo do Realismo e do Naturalismo, e não da proposta modernista descrita. Por fim, "materialidade e multiplicidade socioculturais" soa técnico, mas não indica o objetivo identitário que o texto destaca.

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