Questão 18 do ENEM 2022 — Língua Portuguesa
Reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise
Todo início de ano as pessoas fazem uma lista de propósitos para serem perseguidos ao longo dos próximos 12 meses. Ao que tudo indica, o próximo ano será um período de extrema dificuldade. Reciclar pode ser uma alternativa. Esse conceito — por ser muito abrangente — nos propicia uma reflexão. No dia a dia pessoal, dentro de casa, podemos reciclar roupas, sapatos, objetos de uso pessoal etc. Ou seja, ao adotarmos tal atitude, não gastamos o escasso e suado dinheiro disponível. Vale também minimizar desperdícios. A vantagem dessa “consciência ecológica” acaba por beneficiar o meio ambiente e também o bolso. Reciclar hábitos é muito difícil. Quantos se lembram de apagar a luz quando deixam um ambiente? E de desligar o chuveiro quando estão se ensaboando? Se estou desempregado ou com pouco dinheiro, não preciso ir à academia (e me endividar ainda mais) para cuidar da saúde. Caminhar pelos parques ou jardins pode ser uma alternativa. Quantas vezes nos deparamos com pessoas andando — ou correndo — nas ruas? Isso pode ser imitado. Não tem custo algum! E nas finanças pessoais? Disciplina, disciplina. Reduzir o consumo desenfreado, os gastos desnecessários e pesquisar muito antes de comprar o que é realmente essencial: supermercado, farmácia etc. Na verdade, as compras passam por gestão. Se compro roupa nova (necessária), deixo para comprar sapato ou bolsa no mês que vem. Além de evitar o endividamento numa hora de emprego difícil e renda baixa, o planejamento de gastos torna-se essencial. Quem consegue poupar R$ 10,00 por semana terá R$ 40,00 no final do mês. Ao longo do ano, terá acumulado quase R$ 500. Sem sofrimento. Não foi uma reciclagem de hábito?
CALIL, M. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017 (adaptado).
Para convencer o leitor de que a reciclagem de hábitos ajuda a enfrentar a crise, o autor desse texto
Resolução comentada
A questão pede a estratégia argumentativa usada pelo autor para convencer o leitor.
O texto defende a reciclagem de hábitos como saída para a crise e a mostra em duas frentes. Primeiro, o ambiente: “podemos reciclar roupas, sapatos, objetos”, “apagar a luz”, “desligar o chuveiro”. Depois, o bolso: “não gastamos o escasso e suado dinheiro disponível” e “a vantagem dessa ‘consciência ecológica’ acaba por beneficiar o meio ambiente e também o bolso”.
Ele reforça com exemplos concretos, como poupar “R$ 10,00 por semana” para ter “R$ 40,00 no final do mês” e “quase R$ 500” no ano. A comparação entre o ganho ambiental e o ganho financeiro é o fio da argumentação.
A resposta é faz um paralelo entre os ganhos da reciclagem para o meio ambiente e para as finanças pessoais. A opção sobre gestor de gastos extrapola: o texto fala em “gestão” das compras pelo próprio leitor, não em acompanhamento profissional. Sofrimento é negado (“Sem sofrimento”). Perguntas retóricas existem, mas o público é qualquer pessoa em crise, não só quem tem causas ambientais, e o texto não trata de dificuldade da indústria da reciclagem.