Questão 50 do ENEM 2022 — História
Na construção da ferrovia Madeira-Marmoré, o que dizer dos doentes, eternos moribundos a vagar entre delírios fabris, doses de quinino e corredores da morte? O Hospital da Candelária era santuário e túmulo, monumento ao progresso científico e preâmbulo da escuridão. Foi ali, com suas instalações moderníssimas, que médicos e sanitaristas dirigiram seu combate aos males tropicais. As maiores vitimas, contudo, permaneceriam na sombra a margem do palco, cobaias sem consolo, credores sem nome de uma sociedade que não lhes concedera tempo algum para ser decifrada.
FOOT HARDWAN, F. Trem fantasma: modernidade na selva
São Paulo: Cia das letras,1968 adaptado
No texto, há uma crítica ao modo de ocupação do espaço amazônico pautada na
Resolução comentada
O texto mostra como o “progresso” da ferrovia Madeira-Mamoré custou a vida de trabalhadores tratados como “cobaias sem consolo”, denunciando a contradição entre o desenvolvimento nacional e o respeito aos trabalhadores.
A opção que fala em incompatibilidade entre investimento estatal e proteção aos “nativos” trata dos operários adoecidos na construção da ferrovia, não especificamente de povos indígenas — o alvo da crítica é outro.