Questão 21 do ENEM 2021 — Geografia
Texto I
O mito da estiagem em São Paulo
Os estoques de água doce são inesgotáveis, na medida em que são alimentados principalmente pelos oceanos, infinitos via evaporação e precipitação, ou seja, pelo ciclo hidrológico, que depende de forças físicas as quais o homem nunca poderá interromper. Enquanto existirem, o ciclo funcionará e os estoques de água doce nos continentes serão repostos indefinidamente.
Obviamente que a água não se distribui equitativamente pelo planeta. Há regiões com muita água, normalmente na zona tropical, na qual a evaporação é maior, e regiões áridas, onde, por razões específicas da dinâmica climática, as taxas de evaporação são maiores do que a precipitação, gerando déficit de reposição de estoques de água doce.
Disponível em: www.cartanaescola.com.br. Acesso em: 17 jan. 2015 (adaptado)
Texto II
O processo de sedimentação no fundo do lago de reservatório é um processo lento. Os sedimentos vão formando argila, que é uma rocha impermeável. Então, a água daquele lago não vai alimentar os aquíferos. Mesmo tendo muita quantidade de água superficial, ela não consegue penetrar no solo para alimentar os aquíferos. Se não for usada no consumo, ela vai simplesmente evaporar e vai cair em outro lugar, qual os aquíferos não conseguem recuperar seu nível, porque não recebem água.
Disponível em: www.jornalopcao.com.br. Acesso em: 17 jan. 2015 (adaptado)
Os textos I e II abordam a situação dos reservatórios de água doce do planeta. Entretanto, a divergência entre eles está na ideia de que é possível
Resolução comentada
O Texto I defende que os estoques de água doce se recompõem indefinidamente pelo ciclo hidrológico, enquanto o Texto II mostra que a sedimentação pode impermeabilizar o solo e impedir a recarga dos aquíferos — a divergência está, portanto, na possibilidade de manter os estoques de água doce ao longo do tempo.
A menção às regiões áridas no Texto I pode sugerir a ideia de repor estoques nessas regiões especificamente, mas esse é apenas um exemplo de distribuição desigual da água — o verdadeiro ponto de discordância entre os textos é mais geral.