Questão 74 do ENEM 2020 — História
No início do século XVI, as relíquias continuavam protegendo edifícios e cidades, promovendo curas milagrosas, sendo levadas em solenes procissões pelas ruas, sacralizando altares de igrejas por toda a Europa, em uma notável continuidade em relação ao papel que haviam desempenhado havia mais de mil anos no continente. Mas, em meados daquele século, essa situação tinha se transformado. O culto às relíquias foi fortemente repudiado pelos reformadores protestantes, que pregavam uma igreja invisível.
CYMBALISTA, R. Relíquias sagradas e a construção do território cristão na Idade Moderna. Anais do Museu Paulista, n. 2, jul.-dez. 2006.
A nova abordagem sobre a prática indicada no texto fundamentava-se no(a)
Resolução comentada
A questão pede o fundamento da nova abordagem protestante sobre o culto às relíquias, tal como indicado no texto.
O trecho mostra que, no início do século XVI, as relíquias eram objetos centrais da fé: protegiam cidades, curavam e sacralizavam altares. Em meados do século, porém, os reformadores protestantes as repudiaram, pois pregavam uma "igreja invisível". Para eles, a salvação vem da fé e do contato direto do fiel com Deus e a Bíblia, sem necessidade de intermediários materiais, como imagens, relíquias e santos.
Portanto, a nova postura se fundamentava no abandono de objetos mediadores entre o fiel e o sagrado, em coerência com a ideia de fé interior e de uma igreja formada pelos crentes, e não pela estrutura visível de ritos e objetos.
As distratoras não correspondem à Reforma. O ascetismo monástico é uma prática da vida religiosa medieval que os protestantes criticaram. O desprezo do proselitismo é falso, pois eles divulgaram suas ideias intensamente. A revalorização dos ritos sacramentais é o contrário: reduziram os sacramentos. E a consagração de preceitos populares não explica a rejeição, já que o culto às relíquias era justamente uma prática popular que eles combateram.