Questão 52 do ENEM 2020 — Filosofia
Se os filósofos não forem reis nas cidades ou se os que hoje são chamados reis e soberanos não forem filósofos genuínos e capazes e se, numa mesma pessoa, não coincidirem poder político e filosofia e não for barrada agora, sob coerção, a caminhada das diversas naturezas que, em separado buscam uma dessas duas metas, não é possível, caro Glaucon, que haja para as cidades uma trégua de males e, penso, nem para o gênero humano.
PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a
Resolução comentada
A questão pede a finalidade que Platão atribui ao conhecimento verdadeiro na célebre tese do rei-filósofo, de A República.
Para Platão, os males das cidades e do gênero humano só cessam se filosofia e poder político coincidirem na mesma pessoa, isto é, se os governantes forem filósofos, aqueles que conhecem a verdade e o Bem, ou se os filósofos governarem. Quem não conhece o que é justo não consegue governar bem, de modo que o saber verdadeiro é condição para a boa condução da cidade.
A tese pressupõe, assim, o conhecimento verdadeiro para a organização de uma sociedade justa, na qual o governante, guiado pela razão, estabelece a ordem e põe fim aos "males" da cidade.
As outras opções destoam do pensamento platônico e do trecho. A superação de entraves dialógicos e a formação de um saber enciclopédico são temas que o texto não trata. A promoção da igualdade dos cidadãos e a consolidação de uma democracia direta contrariam Platão, que defendia uma cidade hierarquizada, governada por poucos sábios, e desconfiava da democracia, regime em que a opinião da maioria vale mais que o conhecimento.