Questão 37 do ENEM 2020 — Língua Portuguesa
Como a solidão pode comprometer a sua saúde Segundo estudo, solitários têm risco 39% maior de apresentar sintomas mais intensos de um resfriado. Ter muitos amigos nas redes sociais não diminui o risco. Você se sente sozinho? Uma nova pesquisa, publicada na revista Health Psychology, sugere que seu nível de solidão pode impactar diretamente na gravidade e na resposta do organismo a uma doença. Para o atual estudo, os pesquisadores avaliaram níveis de solidão de 159 pessoas, entre 18 e 55 anos, além da quantidade de amigos que elas tinham nas redes sociais. Depois, os voluntários receberam, por via nasal, doses iguais de vírus de resfriado comum. Eles, então, ficaram isolados por cinco dias em um hotel para que os sintomas manifestados fossem avaliados pelos especialistas. Todas as pessoas que participaram do estudo tiveram a mesma chance de ficar doentes, mas aquelas que relataram sentir-se mais solitárias manifestaram sintomas de resfriado, como dor de garganta, espirro e coriza, mais graves do que as que não se sentiam sozinhas. Segundo os resultados, os participantes solitários apresentaram uma probabilidade 39% maior para os sintomas mais agudos.
Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em: 1 dez. 2017 (adaptado). Nessa reportagem, a referência à pesquisa é acionada como uma estratégia argumentativa para
Resolução comentada
A questão pergunta com que finalidade argumentativa a reportagem recorre à pesquisa científica.
Observe a estrutura do texto. O título e o subtítulo já levantam a tese: a solidão “pode comprometer a sua saúde”. Em seguida, a reportagem apresenta o estudo publicado na revista Health Psychology, descreve o método (159 pessoas, doses iguais do vírus, isolamento por cinco dias) e traz um dado numérico, os 39% de risco maior de sintomas agudos entre os solitários. A pesquisa, com seu rigor e seus números, funciona como evidência, como argumento de autoridade que sustenta a ideia central do texto.
Assim, a resposta correta é a que diz que a pesquisa serve para embasar o debate sobre os riscos da solidão para a saúde humana: ela dá base empírica à tese defendida.
As demais falham por trocar o meio pelo fim ou por inverter a função do estudo. Promover o estudo ou comentar as consequências da solidão como objetivo em si desloca o foco: o estudo é o recurso, não o assunto a ser divulgado. Questionar o número de participantes seria um uso crítico, o oposto do que o texto faz. Demonstrar a opinião de cientistas sobre reações ao vírus não aparece, já que o foco são os resultados do experimento. E comparar solitários e não solitários é apenas parte do dado apresentado, não a estratégia argumentativa maior, que é fundamentar a relação entre solidão e saúde.