Questão 27 do ENEM 2020 — Língua Portuguesa
A carta da Terra PREÂMBULO Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns com os outros, com a grande comunidade da vida e com as futuras gerações. PRINCÍPIOS I. Respeitar e cuidar da comunidade da vida. II. Proteger e restaurar a integridade ecológica. III. Promover a justiça social e econômica. IV. Fortalecer a democracia, a não violência e a paz. O CAMINHO ADIANTE Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida e pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.
Disponível em: www.mma.gov.br. Acesso em: 3 dez. 2017 (adaptado). Analisando a estrutura composicional do texto, percebe-se que ele se insere na esfera
Resolução comentada
A questão pede que você, analisando a estrutura composicional de "A Carta da Terra", identifique a esfera social de circulação à qual o texto pertence.
O texto organiza-se em partes típicas de documentos de caráter declaratório e normativo: um Preâmbulo, que contextualiza o momento histórico e a responsabilidade coletiva; Princípios, numerados e formulados no infinitivo ("Respeitar e cuidar...", "Proteger e restaurar...", "Promover...", "Fortalecer..."); e uma conclusão, "O caminho adiante". A linguagem é formal e coletiva ("nós, os povos da Terra", "devemos reconhecer", "é imperativo"), características de cartas, declarações e tratados de organizações e Estados.
Por isso, o texto se insere na esfera institucional: ele propõe princípios e regras de conduta, compromissos de caráter ético e político, para alcançar a sustentabilidade da vida no planeta.
As demais esferas não combinam com a estrutura do documento. Não é pessoal, pois não há expressão de subjetividade individual, e sim um "nós" universal. Não é publicitário, já que não promove produto ou serviço nem convida a ações específicas como em um anúncio. Não é científico, porque não relata fatos nem dados sobre a situação ambiental. E não é jornalístico: embora haja divisões com títulos, elas organizam princípios, e não notícias ou informações apuradas.