Questão 76 do ENEM 2019 — Filosofia
Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).
A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a):
Resolução comentada
Arendt mostra como a "irrealidade" imposta aos prisioneiros dos campos os retirava do mundo moral comum, tornando a extermínio algo "normal". A crítica recai sobre a segregação humana que fundamenta projetos biopolíticos de controle e extermínio de populações.
A ideia de ideário nacional é tentadora por associar totalitarismo a nacionalismo, mas o texto foca especificamente no mecanismo de desumanização dentro dos campos que torna o extermínio aceitável, não em desigualdades sociais legitimadas por ideias de nação.