Questão 48 do ENEM 2019 — Geografia
Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sulamericana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes.
ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado).
A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica:
Resolução comentada
Ao ver a América do Sul apenas como um território de recursos naturais a ser explorado, Humboldt trata a natureza como um objeto separado do ser humano, disponível para ser dominado e aproveitado. Essa visão reflete o racionalismo cartesiano, que separa sujeito e natureza, colocando o homem como seu explorador racional.
A opção que cita o materialismo dialético refere-se a uma corrente ligada à análise das relações de classe e produção ao longo da história, e não à ideia específica de dominação da natureza como recurso, que é uma herança do dualismo cartesiano entre razão humana e mundo natural.